Relatório da Swissnex revela colaborações entre Amazônia e Suíça que conectam ciência, inovação e conservação na maior floresta tropical do mundo
Publicação reúne iniciativas de universidades, empresas e organizações suíças que atuam na região e mostra como a cooperação internacional pode gerar soluções para biodiversidade, bioeconomia e um planeta mais resiliente
A Amazônia vem se consolidando como um espaço de colaboração e aprendizagem mútua, onde diferentes formas de conhecimento contribuem para o desenvolvimento conjunto de soluções para desafios relacionados à biodiversidade, ao clima e à bioeconomia. É nesse contexto que a Swissnex apresenta o relatório “Switzerland and Amazonia: Stories of Collaboration”, seu segundo mapeamento da série que visa dar visibilidade à presença das iniciativas entre organizações suíças, parceiros e comunidades da Amazônia, cujas colaborações impulsionam pesquisas, projetos e negócios enraizados nas realidades locais.
Diferente da primeira edição, que mapeou projetos de mais de 40 organizações suíças em parceria com comunidades locais, o novo documento reúne oito casos de estudo que ampliam o entendimento de como organizações, centros de pesquisa, empresas, instituições públicas, povos indígenas, comunidades locais e empreendedores estão atuando em diferentes frentes, como biodiversidade, bioeconomia, conservação, agricultura sustentável, tecnologias digitais, cadeias produtivas e conhecimento tradicional, na maior floresta tropical do mundo. Entre as organizações destacadas estão Silvania, Lynx Technologies, Clariant, University of Zurich (UZH), Zurich University of Applied Sciences (ZHAW), Earthworm Foundation, Wyss Academy for Nature e ETH Zurich.
O relatório, desenvolvido com o suporte da Presence Switzerland, evidencia a diversidade de formas pelas quais a Suíça vem construindo relações com a Amazônia. As iniciativas abrangem pesquisa em biodiversidade, cadeias produtivas transparentes, governança florestal e uso sustentável da sociobiodiversidade. Diferentes em escopo e abordagem, os projetos compartilham o compromisso de aprender, adaptar-se e construir soluções conectadas às realidades locais.
A Silvania, plataforma suíça de investimento em capital natural, desenvolve com o Governo do Tocantins o Programa Jurisdicional de REDD+ (J-REDD+), na Amazônia brasileira. A iniciativa combina investimento privado, mercado de carbono jurisdicional, monitoramento científico e mecanismos de repartição de benefícios para conectar a conservação florestal à construção de soluções para os territórios, com participação ativa dos povos indígenas, comunidades quilombolas e agricultores familiares e benefícios tangíveis para essas comunidades.O programa está em implementação e prevê a primeira emissão de créditos de carbono sob o padrão ART-TREES em 2026. A experiência integra um portfólio da organização de 14 projetos em dez países, que cobre mais de 29 milhões de hectares.
A Zurich University of Applied Sciences (ZHAW), em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Embrapa, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (CAMTA) e a Fazenda Konagano, pesquisa o potencial do cupuaçu como matéria-prima de maior valor para a bioeconomia amazônica. O projeto aplica conhecimentos desenvolvidos para o processamento do cacau à caracterização molecular e à pós-colheita do cupuaçu, testando a incubação controlada das sementes como alternativa à fermentação tradicional. Os experimentos indicam potencial para reduzir a variabilidade do processamento, melhorar o controle de qualidade e diminuir perdas pós-colheita, ampliando as possibilidades de acesso a mercados mais exigentes.
A University of Zurich (UZH), em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a University of Oxford e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolve pesquisas sobre os chamados rios voadores e as interações entre floresta e clima na Amazônia brasileira. O trabalho combina ciência climática, ecologia, arqueologia e sensoriamento remoto para entender como a biodiversidade e a influência humana de longo prazo moldam a circulação de umidade e as chuvas regionais. Entre os resultados, os modelos mostram que os efeitos do desmatamento sobre os padrões de chuva podem persistir por até seis anos e que a perda de floresta pode reduzir as chuvas sobre áreas agrícolas a centenas de quilômetros de distância.
A Wyss Academy for Nature at the University of Bern, por meio de seu trabalho territorial em Tambopata, no Peru, atua em colaboração com organizações locais como CITEproductivo, RONAP, AIDER, a Ecological Agriculture Association e a National Amazonian University of Madre de Dios (UNAMAD). A iniciativa combina pesquisa aplicada, conhecimento local e inovação para desenvolver soluções voltadas à conservação da biodiversidade, à bioeconomia, à agrofloresta e à governança territorial. Entre as iniciativas estão a adaptação de um secador de castanha-do-Brasil às condições amazônicas e um incubador de sistemas agroflorestais que diversifica áreas de cacau com espécies de valor comercial e benefícios para a biodiversidade.
A ETH Zurich desenvolve o projeto WildinSync Amazonia em colaboração com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a iniciativa BiotechQuilombo, comunidades quilombolas dos estados do Pará, Amazonas e Roraima e parceiros como Amazônia +10, o Swiss National Science Foundation (SNSF) e o Swiss Federal Institute for Forest, Snow and Landscape Research (WSL), financiada pelo Brazil’s National Council for Scientific and Technological Development (CNPq), the Amazonas, Pará, Roraima and São Paulo state research foundations (Fapeam, Fapespa, Faperr and Fapesp), alongside the Swiss National Science Foundation (SNSF) and UK Research and Innovation (UKRI). A pesquisa combina DNA ambiental (eDNA), imagens de satélite, inteligência artificial e conhecimento ecológico tradicional para monitorar a biodiversidade e apoiar decisões sobre os territórios. A iniciativa faz parte de uma rede global de monitoramento presente em mais de 30 países e busca garantir que os dados produzidos retornem às comunidades em formatos úteis para a gestão territorial. Experiências anteriores da ETH Zurich com comunidades indígenas já utilizaram eDNA para identificar efeitos positivos de iniciativas locais, como reservas de pesca e proteção de nascentes, sobre a riqueza de espécies e a disponibilidade de água.
A diversidade dos projetos reflete uma característica central da atuação suíça na região: a busca por colaboração de longo prazo, em vez de iniciativas isoladas. O relatório mostra que parte importante dessas experiências está baseada na combinação entre ciência, tecnologia e conhecimento local e ancestral, reconhecendo que soluções para a Amazônia precisam ser construídas em diálogo com as comunidades e os territórios.
“Mapear essas iniciativas também nos permitiu perceber a força que existe quando conhecimentos, experiências e perspectivas diferentes se encontram em torno de desafios comuns. Na Amazônia, pesquisadores, comunidades, empresas e organizações brasileiras já trabalham com soluções e conhecimentos fundamentais para responder às transformações do território. As parcerias com instituições suíças fortalecem esse intercâmbio, criando oportunidades para que esses conhecimentos circulem, sejam ampliados e possam inspirar novas formas de colaboração. É justamente esse espaço de conexão e troca entre Brasil e Suíça, com a Amazônia no centro, que a Swissnex busca fortalecer”, afirma Vincent Neumann, Head de Programas da Swissnex in Brazil.
Uma rede que conecta Suíça e Amazônia
A publicação é também resultado de um trabalho contínuo da Swissnex para aproximar os ecossistemas suíço e amazônico. Essa atuação ganhou diferentes formatos nos últimos anos, articulando ciência, empreendedorismo, clima, biodiversidade e cultura.
Um dos principais exemplos é o nexBio Amazonia, programa bilateral realizado pela Swissnex in Brazil em parceria com a Leading House Latin America, da University of St.Gallen, e o CONFAP. Em sua terceira edição, o programa reuniu pesquisadores e startups suíças e brasileiras em uma imersão de duas semanas no Amazonas e no Amapá, conectando os participantes a centros de pesquisa, empresas, comunidades, hubs de inovação e cadeias produtivas locais. A iniciativa busca transformar esses encontros em novas parcerias e soluções para a bioeconomia amazônica.
“O nexBio foi uma experiência incrivelmente enriquecedora. Foi fascinante ver em primeira mão a integração entre o meio acadêmico e a indústria, conhecer a Amazônia sob uma perspectiva internacional e perceber como isso nos abre os olhos para novas oportunidades e conexões entre a pesquisa e as necessidades reais do mercado”, explica Bruna Freitas, representante da startup brasileira Yara Couro.
A conexão também ultrapassa o território amazônico. Durante a primeira Climate Week Zurich, e em parceria com a Frontiers Planet Prize, em maio de 2026, a Swissnex levou a Amazônia ao centro da agenda de clima e biodiversidade em Zurique. A programação reuniu representantes de ciência, finanças, conservação e empreendedorismo para discutir formas de ampliar a cooperação entre a Suíça e a região. Entre as organizações presentes estavam Wyss Academy for Nature, ZHAW, Silvania, University of Zurich e Earthworm Foundation.
A atuação da Swissnex também esteve presente na agenda internacional da COP30, em Belém, com a criação da Planetary Embassy, instalada no Museu Paraense Emílio Goeldi. Diferentemente das propostas apresentadas pelas zonas oficiais de evento, o pavilhão optou por uma abordagem focada na escuta e na reflexão, atuando como uma espécie de embaixada planetária, aproximando vozes amazônicas e indígenas, como o líder indígena Davi Kopenawa e Ehuana Yanomami, e soluções globais para os desafios climáticos. A iniciativa realizada com o suporte da Presence Switzerland, integrou o programa Road to Belém, promovido pela Embaixada da Suíça no Brasil.
No campo da arte e da ciência, a residência “On Amazonian Forests”, realizada em parceria com o Istituto Svizzero e a Wyss Academy for Nature, amplia essa mesma proposta ao aproximar artistas-pesquisadores do Brasil, Suíça e Peru para uma imersão nas florestas amazônicas a partir de perspectivas culturais, ecológicas e científicas. Entre os selecionados estão artistas que trabalham com narrativas orais, cosmologias, memória, conhecimento tradicional e transformações ambientais. O programa com duração de três meses, que conta com uma fase em Madre de Dios, no Peru, e outra em Roma, na Itália, está previsto para encerrar-se com um evento público na Suíça em dezembro deste ano.
Projetos anteriores, como a colaboração com a iniciativa ETH BiodivX, também fazem parte dessa trajetória. A parceria envolveu o uso de tecnologias para levantamento da biodiversidade da floresta amazônica e demonstra como a articulação entre instituições suíças e parceiros da região vem sendo construída ao longo do tempo. A Canopy é a newsletter mensal da Swissnex sobre a o que a instituição chama de “nature renaissance”, reunindo ideias, pessoas e parcerias que estão transformando a relação com a natureza no Brasil e no mundo. A publicação aborda temas como regeneração, soluções baseadas na natureza, financiamento para a natureza e sociobioeconomia.
O relatório “Switzerland and Amazonia: Stories of Collaboration” nasce, portanto, não apenas como um registro da colaboração entre Suíça e Amazônia, mas como uma fotografia de uma rede em construção. Ao reunir diferentes experiências, a publicação evidencia o potencial de conexões que aproximem pesquisa, inovação, investimento, conservação, cultura e conhecimento tradicional — e reforça um compromisso de longo prazo da Swissnex e da Suíça em criar pontes para que essas colaborações continuem evoluindo.
Sobre a Swissnex
A Swissnex é a rede global que conecta a Suíça ao mundo nas áreas de educação, pesquisa, inovação e artes. Como parte da rede internacional da Confederação Suíça, promove intercâmbios e parcerias entre instituições, pesquisadores, empreendedores, empresas e organizações suíças e os principais hubs de inovação globais. No Brasil, desenvolve iniciativas voltadas à cooperação científica, tecnológica e empreendedora, com foco em bioeconomia, economia regenerativa e inovação baseada na natureza.
